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| Charlotte York, Sex and The City. |
Esses dias eu assisti a um vídeo no YouTube (link aqui) sobre glow up, em que a youtuber dizia o seguinte:
Talvez você não precise de um glow up, só voltar a ser quem você é
E eu venho refletindo desde então sobre isso. Vivemos em uma época em que somos bombardeados, constantemente, por conteúdos de desenvolvimento pessoal, seja para ser mais inteligente emocionalmente, mais funcional, mais influente, mais saudável, mais bonitos, mais, mais, mais... e, assim, nessa busca pelo mais, nos tornamos robôs idênticos e condicionados à busca de uma "melhor versão" generalizada.
Não há nada de errado em consumir conteúdos que te ajudam a se tornar uma pessoa melhor, muito pelo contrário, mudança positiva é sempre bem-vinda, mas quando ela faz sentido. Acabamos seguindo dicas de beleza, comportamento e estética para seguir uma trend ou a vibe do momento, mesmo que aquilo não faça muito sentido para nós, se pararmos para pensar bem.
E isso me faz pensar em outra coisa que vi na internet esses dias. Na adolescência, acabamos nos moldando para aquilo que é considerado legal e deixamos de lado as coisas de que realmente gostamos de fazer por medo de sermos julgados. A mesma coisa acontece (e até se potencializa) na entrada da vida adulta. Para escolher qual profissão seguir, ignoramos tudo sobre nós e escolhemos fazer o curso que dá mais dinheiro, mesmo que isso signifique passar o resto da nossa vida fazendo algo com que não temos tanta afinidade. E, quando chega a hora de parar e nos avaliarmos - porque nada que não tenha desejo se sustenta por muito tempo -, percebemos que estamos perdidos e refazemos todo o caminho, tentando nos achar de novo, e acabamos nos conectando com as coisas antigas de que já gostávamos, mas que, por algum motivo, deixamos de lado - sou a prova vivíssima disso!!
A verdade é que não precisamos comprar todos os produtos de beleza que estão viralizados na internet, ou não precisamos ler todos os livros da lista de best sellers, tampouco precisamos seguir todos os influenciadores de vida saudável e bem-estar que existem na internet para termos a nossa "melhor versão"; o que precisamos é nos conectar com o que faz sentido para nós, para aí "desbloquear" o nosso potencial para sustentar quem realmente somos. E é exatamente aí que mora a nossa melhor versão: na nossa individualidade e subjetividade.
Talvez você, realmente, não precise de um glow up com centenas de produtos empilhados no banheiro e milhares de reais a menos na carteira, mas sim usar aquele estilo de roupa e maquiagem de que você sempre gostou, mas teve vergonha de usar por medo de julgamento. Ou ler livros água com açúcar porque você acha mais legal do que ler "5 passos para sei-lá-o-que", que você só lê porque está hypado no TikTok. Ou, até mesmo, você só precisa voltar a escutar a banda de que você gostava quando era adolescente, porque é o estilo de música que você gosta, e não os virais da internet.
Não fujam de sustentar quem vocês realmente são só para encaixar num ideal generalista. Sua melhor versão é só sua, e isso basta.









