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3/27/2026

Será que a gente deve falar tudo o que pensa?

Aqui vai uma historinha: Timothée Chalamet estrelou Marty Supreme, um filme sobre um ambicioso e arrogante tenista de mesa que achava que merecia o mundo, que foi indicado a nove categorias no Oscar desse ano, inclusive de melhor ator. O filme é realmente muito bom, e a atuação do Timothée, impecável - dizem até ser a melhor de sua carreira até agora. Masss, em uma entrevista recente na temporada pré-Oscar, Timothée, que estava muito confiante (tanto quanto seu personagem, rs), que levaria a estatueta de melhor ator para casa junto de sua namorada, Kylie Jenner, acabou soltando que ninguém se importa mais com o ballet e a ópera, o que acabou ganhando uma repercussão negativa gigantesca e impactando diretamente na corrida do filme ao prêmio e na consagração de Timothée como o grande ator de sua geração.

O final da história é que, depois de toda a repercussão e alfinetadas diretas durante a cerimônia do Oscar, Marty Supreme não levou nenhuma estatueta para casa, nem mesmo a de melhor ator - essa foi levada por Michael B. Jordan - e há quem diga que a língua desenfreada de Timothée Chalamet, o garoto prodígio e estrela do cinema, foi uma das culpadas por o elenco e a produção de Marty Supreme terem ido para casa de mãos vazias.

E, desde então, eu fiquei pensando: será mesmo que a gente deve falar tudo o que pensa?

A resposta curta e direta é não. Toda expressão, ao meu ver, deve, sim, ser acompanhada de um limite, seja lá seu motivo. Ponderar as palavras, avaliar possíveis danos causados pela combinação explosiva de sentimentos à flor da pele e uma língua pegando fogo deve ser levado em conta, porque, a partir do momento que o pensamento sai pela sua boca, outras pessoas esbarram com ele, e o resultado não é mais só seu.

E o que a pessoa vai poder fazer com as suas palavras? Se chatear, se defender, opinar, acatar, ignorar... E, dependendo da resposta do outro lado, a devolutiva pode resultar em frustração, desentendimento, discussão e até um espaço vazio na estante de prêmios.

A verdade é que as pessoas precisam se responsabilizar pelas coisas que pensam e falam, tendo um minutinho de consciência - e humildade - e se perguntar: é de bom tom falar isso? O que eu vou ganhar ao soltar isso? Qual o meu objetivo com essa fala?

Tem gente que cospe sentimento e frustração com o intuito de outras pessoas resolverem aquilo para elas, como se o mundo fosse responsável por facilitar sua vida. Ou até porque simplesmente não conseguem entender que tem coisas que precisam ser guardadas para si, para o bem do convívio social - e talvez até de sua reputação.

Não estou falando que devemos nos calar ou passar a dizer o que outras pessoas querem ouvir, mas que precisamos falar com consciência e inteligência (e também nem estou culpando totalmente o Timothée, porque sei que a campanha do filme foi exaustiva e isso também é considerado na votação - apesar de achar que ele incorporou o personagem um pouco demais e se passou na confiança).

Ser sincero consigo mesmo e com os outros deve andar lado a lado com a empatia, respeito, entendimento de limites e prudência para evitar conflitos ou maus entendidos. 

Tem coisas que devemos lidar sozinhos, no íntimo do nosso ser. Tem coisas que devem ser, sim, ditas, mas bem pensadas antes. Palavras não são inofensivas, muito pelo contrário, elas são como bombas que traduzem sentimentos, emoções e desejos que nem sempre são do outro que ouve.

Em um mundo que sempre pende para o extremismo de dois lados opostos, precisamos aprender a ponderar e a viver em equilíbrio. Nem tudo precisa ser dito. Mas o que precisa é bom vir acompanhado de ponderação.

Nem todo pensamento merece voz.

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